Hoje vamos falar sobre um sinal de pontuação bem pequeno, mas que pode provocar um verdadeiro estrago se não for usado adequadamente: a vírgula. Ela é um sinal de pontuação que indica uma pausa de curta duração e, por isso, muitas pessoas a colocam nos textos em locais inadequados, achando que devem inseri-la em todos os momentos em que o leitor faz uma pausa para respiração. Cuidado com isso, porque o uso da vírgula obedece a algumas regras. Vamos a elas:
1. Não usamos vírgula entre o sujeito e o predicado, entre o verbo e seu complemento, entre o nome e seu complemento ou adjunto, mesmo que na fala haja
pausa entre os termos.
Muitos imigrantes europeus chegaram ao Brasil naquele ano.
Todos os filhos deram presentes ao pai.
2. Quando ocorre qualquer alteração na seqüência lógica dos termos, temos a ordem indireta. Nesse caso, usamos a vírgula.
Os meninos abraçaram a colega com respeito. (ordem direta)
Com respeito, os meninos abraçaram a colega. (ordem indireta)
3. Agora, no interior da oração.
a) com aposto intercalado:
| Joana, filha do vizinho que morreu, está internada. |
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Aposto |
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| São Paulo, capital mundial da gastronomia, tem excelentes restaurantes. |
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Aposto |
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b) em expressões de caráter explicativo ou corretivo:
Não estarei em casa amanhã, ou melhor, depois de amanhã.
Sua opção, isto é, sua escolha é um tanto duvidosa.
c) conjunções coordenativas e adjuntos adverbiais intercalados:
Minha avó, naquele dia, não estava nada bem.
Ele a perdoou, no entanto, não quis mais falar com ela.
4. Termos deslocados – normalmente quando um termo é deslocado de seu lugar original, deve vir separado por vírgula. Assim separam-se:
a) o adjunto adverbial do anteposto:
Naquele dia, minha avó não estava nada bem.
Se o adjunto adverbial for um simples advérbio, a vírgula é dispensável.
Hoje faz seis anos que me casei.
b) na indicação de datas:
São Paulo, 30 de julho de 2008.
5. Palavras omitidas – normalmente, usa-se vírgula para marcar a omissão de uma palavra (geralmente o verbo). Veja a letra da linda canção de Chico
Buarque:
“O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano.”
Nos versos, as vírgulas estão marcando a omissão do verbo (era).
6. Vocativo – sempre deve vir separado por vírgula, esteja no começo, no meio ou no final da frase.
Não diga uma coisa dessa, menino.
Caros colegas, a situação é mesmo grave.
7. Termos coordenados ligados por e, ou, nem – não se usa vírgula.
Gostava de mágicos, palhaços e bonecos.
São Paulo ou Palmeiras será o campeão este ano.
Não gostei do que ouvi nem do que vi.
Se essas conjunções vierem repetidas para dar a idéia de ênfase, usa-se a vírgula:
E as canções, e as poesias, e os recitais emocionavam a velha senhora.
Não caminhava por montanhas, ou florestas, ou cavernas.
Não comia nem abacate, nem banana, nem figo.
Semana que vem, continuaremos falando sobre esse assunto. Aproveitem e mandem suas dúvidas para blog@institutomonitor.com.br ou cadastrem-se e postem um comentário.
Até lá!
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Rebeca Oliveira
Editoria – Instituto Monitor
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